quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Temporada 1991

Talvez não haja algo que mais desperte o imaginário humano como as estrelas. É corriqueiro olharmos para os reluzentes objetos que a atiçam a nossa imaginação e, assim, tentamos decifrar seus mistérios e encantos. Tal como o sábio que estuda o movimento dos astros, ou a criança que vê acima do escudo os feitos eternizados de uma geração passada.

Qualquer grande clube centenário atravessa momentos altos e baixos. Em meio a crises, sempre surge a necessidade de se reinventar. Esse foi o cenário que o Sergipe vivia na segunda metade da década de 80, quando limitações financeiras forçaram a criatividade dos dirigentes rubros a criar um ousado projeto.

O C.S.Sergipe é o pioneiro na formação de atletas de base e há anos revelava craques sob a batuta do prof. Geraldo Oliveira. Tendo isso em mente, o folclórico presidente Motinha decidiu priorizar a formação das pratas da casa, mesmo que para atingir a maturação do processo o clube sofresse nas próximas temporadas.
Acontece que no meio do processo houve uma inesperada conquista do Sergipano de 1989 com uma equipe que mesclava experientes jogadores como Celso Mendes e Nininho a jovens como Sandoval e Leniton. Entretanto, o trabalho só deslancharia em 1991.
A década de 90 começava com o predomínio de nossos rivais, os quais eram os atuais campeões sergipanos e passaram a disputar a Série B do Brasileiro. Já nas bandas do Siqueira Campos, o Mais Querido enfrentava o descrédito da torcida e da imprensa, que não viam o clube exercendo o protagonismo de anos anteriores. Além disso, o Sergipe havia começado mal o campeonato. Após desempenhos fraquíssimos e instabilidades no grupo, o então técnico Mitermaia é demitido, assumindo em seu lugar o icônico Ribeiro Neto. 

O novo treinador tinha um imenso desafio pela frente: resolver a crise interna do elenco rubro e alcançar o maior rival que estava sobrando na competição. A mudança inicialmente surtiu bons resultados. Após vencer o Olímpico em sua estreia, os comandados de Ribeito Neto engataram mais 2 vitórias consecutivas em clássicos contra Confiança e Itabaiana. No entanto, a inesperada derrota de virada para o Amadense, após estar vencendo por 2 a 0, fez ressurgir o descrédito na equipe rubra, que viu com isso o seu maior rival conquistar o turno e pontos extras na fase final.

Acontece que a troca de comando resolveria não só o ambiente do vestiário como também o futebol apresentado por jogadores que ainda não haviam deslanchado. Um dos casos mais notórios é o do centroavante Rocha, que se tornaria um dos maiores artilheiros da história do clube. Além dele, Sandoval e Elenilson elevaram seu futebol após mudanças no esquema tático, que passaria apresentar uma rotação de posição entre esses dois jogadores. Soma-se a isso o faro de gols do jovem Leniton, artilheiro da competição até então. Estava formado o quarteto jamais esquecido pela Massa Colorada.

Por outro lado, uma das jogadas de Ribeiro que mais surtiu efeito foram os blefes dados por ele em entrevistas para a imprensa. O técnico passava a afirmar que o campeonato estava perdido e que o nosso rival já poderia ser considerado campeão. Aos poucos, de vitória em vitória, o Sergipe passava a se aproximar do time do Bairro Industrial sem muito alarde.

Sacudida a poeira após a derrota em Tobias Barreto, o Sergipe deu uma arrancada no hexagonal da competição, mas tinha o Itabaiana como o rival a ser batido para alcançar uma vaga na final contra os azulinos.

Na última rodada do hexagonal, o Tricolor da Serra enfrentou a fraca equipe do União de Propriá em seus domínios. Os bastidores dessa partida deram o que falar, pois o presidente da equipe ribeirinha afirmou que dirigentes tricolores estiveram na cidade e que mantiveram conversas suspeitas com os dois goleiros do União. Com isso, os atletas suspeitos foram afastados do time, cabendo ao zagueiro Cosme a posição de goleiro improvisado. Eis que o inacreditável aconteceu: o Itabaiana desperdiçou inúmeras oportunidades não conseguindo vencer a partida, que ficou empatada em 1 a 1, graças a espetacular atuação do zagueirão Cosme embaixo da meta do União. No final do jogo, o dirigente propriaense acrescentou que os dirigentes rubros ofereceram uma gorda premiação aos jogadores do União caso arrancassem pontos do Tremendão da Serra.

No final dessa rodada, Sergipe e Itabaiana empataram em número de pontos, o que forçou uma partida extra entre as duas equipes, a qual foi vencida pelo Mais Querido. Os gols da vitória rubra foram marcados por Rocha e Evandro, enquanto Vanderlei descontou para os tricolores. 

Após a conquista do hexagonal, o Sergipe enfrentaria seu maior rival em dois jogos, nos quais uma derrota ou dois empates seriam fatais para o Vermelhinho. O Gigante Rubro necessitava, no mínimo, de um empate e uma vitória para forçar mais três jogos finais.

A torcida rubra viu seu time sair na frente no primeiro jogo aos 13 minutos com um golaço de Rocha. No entanto, os colorados foram infelizes após sofrem um gol contra de Luís Dias que culminou no empate da primeira partida.

O segundo jogo da decisão já havia começado com clima de festa dos rivais, que colocaram um trio elétrico na porta do Batistão, já contando com a conquista do campeonato. Em campo, um clássico bastante nervoso. Sergipe e Confiança realizaram uma partida bastante disputada e agressiva. Houve a expulsão de seis jogadores, três de cada equipe. O jogo caminhava para o título dos adversários, pois os gols de Rocha (CSS) e de Audair (ADC) arrastavam a partida para o desejado empate para os azulinos. Ocorre que os deuses do futebol já haviam vestido o manto rubro naquele ano. Aos 35 minutos do segundo tempo, Tuíca entrou em campo para mudar de vez o rumo da história. Um inacreditável foguete saiu dos pés de Tuíca, acertando o ângulo da meta adversária. O campeonato havia sido conquistado ali, pelos pés de Tuíca.

O resultado forçou uma nova série de 3 jogos decisivos. O Sergipe venceu a primeira partida com gol de Rocha e venceu a seguinte com gol do jovem Leniton, evitando-se, assim, um terceiro confronto. Finalmente os filhos de Geraldão adentraram no Panteão de Estrelas do futebol sergipano e logo seriam eternizados pelo espetáculo que só estava começando.

Para o ano de 1991, o Sergipe iniciou a temporada jogando com o uniforme da temporada anterior produzido pela gigante alemã Adidas (a marca vestia grande parte dos clubes brasileiros na década de 1980 e início da década de 1990, com kits básicos onde eram aplicados apenas os escudos das equipes e que se tornaram uniformes clássicos), com o acréscimo da aplicação do logo dos Refrigerantes Pinguim, que patrocinou o Sergipe naquela temporada.  O conjunto titular era composto com a camisa vermelha com as três listras da adidas nos ombros, calção branco e meiões vermelhos. O conjunto reserva era o inverso do titular, com camisas brancas e detalhes em vermelho, calções vermelhos e meiões brancos. Durante o decorrer do Campeonato Sergipano, o Sergipe trocou de uniforme. Deixou de vestir Adidas e passou a usar um material sem marca definida e que foi até o final da temporada. O conjunto titular era com camisa predominantemente vermelha, com gola branca tipo Pólo e detalhes brancos nas mangas e uma listra fina branca na altura do peito, calções brancos e meiões vermelhos. O Uniforme reserva era o inverso do titular, com detalhes em vermelho, calções vermelhos e meiões brancos. Um fato interessante daquela temporada foi o uso de um uniforme titular produzido pela Adidas, provavelmente usado em poucas partidas e com um patrocinador diferente, Farone (não foram encontradas imagens do uniforme reserva).

*Texto base de Davi Tenório. Revista Almanaque do Gipão. Edição n° 2. Janeiro de 2020


domingo, 29 de novembro de 2020

Temporada 1992

A massa colorada sempre foi acostumada a presenciar futebol de qualidade. Os esquadrões rubros sempre jogaram de forma ofensiva e com bastante técnica. É assim que podemos definir a Escola Colorada de Futebol, um celeiro de jogadores habilidosos, velozes e goleadores, como também de defensores de grande técnica. Em 1992, o torcedor do Sergipe sentia-se orgulhoso por ver essa tradição sendo posta em campo, um time então campeão que defenderia o título de forma primorosa.

A temporada de 1992 iniciava promissora no João Hora, já que os atuais campeões mantiveram a base do grande time do ano anterior. Além disso, os jovens talentos mostravam uma grande evolução, não mais sendo considerados apenas promessas. Por outro lado, o Mais Querido não contaria com o craque Leniton, que havia sido emprestado ao Bahia, no início do campeonato, o qual só retornaria no segundo turno.

A primeira partida do ano ocorreu contra um adversário que fi caria marcado na temporada: o antigo São Cristóvão de Carmópolis. O Sergipe não enfrentou dificuldades ao vencê-lo pelo placar de 2 a 0 com gols de Rocha e Zé Raimundo. Em seguida, os rubros venceriam o União de Propriá e o Estanciano, este último goleando por 6 a 0. Apesar do bom início, o time teve um péssimo desempenho na Série C e passou a sofrer derrotas também no estadual. Com isso, o treinador Ribeiro Neto optou em mudar os ares ao sair do clube.

Enquanto o presidente Motinha não definia seu sucessor, o artilheiro Rocha passou a desempenhar também o papel de treinador na vitória contra o Maruinense e na derrota para o maior rival na decisão do 1º turno.

Finalmente, na fase seguinte, estreava o técnico que acompanharia o time pelo resto da temporada. Tratava-se do carioca Ivan Gradim.

O novo comandante também contou com a volta de Leniton após o término do seu empréstimo ao tricolor baiano. Após essas mudanças, o Sergipe ganhou fôlego para se recuperar no campeonato, alcançando, assim, o título do 2º turno ao vencer a equipe do bairro industrial por 2 a 0, gols de Rocha.

O final do campeonato se aproximava e o Gipão acumulava vitórias até a partida que selaria o bicampeonato. Eis que a conquista chegaria em duelo contra o adversário da estria da competição, o São Cristóvão. Uma caravana com mais de 20 ônibus e 200 carros, segundo o jornal A Gazeta de Sergipe, saiu de Aracaju em direção ao estádio Petrolão em Carmopólis. Os colorados precisavam de apenas um empate para o título.

A massa colorada viu seu esquadrão abrir o placar com Leniton de cabeça, logo aos 11 minutos, após cobrança de falta de Osvaldo. Mas, ainda no 1º tempo, Malvina empatou para o São Cristóvão, terminando assim o 1º tempo.

Na volta do intervalo, os adversários estavam mais motivados, criando chances claras de gol. Atento a situação, o técnico Gradim mexeu na equipe colocando Zé Raimundo na partida. Com a mudança, o Sergipe melhorou na partida até desempatar o placar com Elenilson. A torcida rubra já fazia a festa nas arquibancadas quando Zé Raimundo deu um lençol no zagueiro e cruzou na medida para Leniton fechar o placar. Final, Sergipe 3 x 1 São Cristóvão, para o delírio da Massa Colorada que viu seu time conquistar o bicampeonato de forma antecipada e a 25ª taça na sua galeria de troféus. 

Em 1992, as camisas já não eram mais produzidas pela Adidas, e apenas os calções continuavam a ser usados. As camisas não tinham um fornecedor definido e eram simples. O conjunto titular era composto pela camisa vermelha com golas e punhos brancos, calção branco e meiões vermelhos. O conjunto reserva era com a camisa branca com golas e punhos vermelhos, calções vermelhos e meiões brancos.


Texto base de Davi Tenório. Revista Almanaque do Gipão. Edição n° 2. Janeiro de 2020

Temporada 1991

Talvez não haja algo que mais desperte o imaginário humano como as estrelas. É corriqueiro olharmos para os reluzentes objetos que a atiçam ...